Comitê Plebiscito Constituinte amplia espaços de formação pela reforma política

O Comitê Plebiscito Constituinte, que trabalha para realizar uma consulta popular sobre a eleição de uma assembleia parlamentar que trate exclusivamente da reforma do sistema político e eleitoral do país reuniu, no sábado (24), em São Paulo, mais de mil representantes de movimentos sociais em debates sobre o tema.

Hugo Fanton, coordenador do comitê estadual de São Paulo, explicou que o objetivo do movimento é ampliar o envolvimento social em torno da bandeira pela reforma política. “Para construir essa força nós precisamos ter uma militância, ativistas envolvidos e engajados”, afirmou em entrevista à Rádio Brasil Atual.

Para o deputado estadual Renato Simões (PT), apenas uma constituinte exclusiva e soberana pode reformar o sistema político brasileiro, pois os interesses privados prevalecem sobre os interesses públicos. “É evidente que as reformas sociais, econômicas, urbanas, a reforma tributária, a agrária, a democratização da mídia, precisam ver destravado esse nó político.”

Simões aponta que os governos neoliberais dos anos de 1990 permitiram a mercantilização da política, de modo que os mesmos grupos econômicos que financiaram a ditadura, hoje financiam campanhas políticas “milionárias”.

Para o deputado, é necessário que o povo brasileiro se conscientize da cadeia de responsabilidades que privatiza a política para torná-la de interesse público. “Só isso pode, ao meu ver, quebrar a desmoralização do Congresso Nacional e dos políticos, motivada pela falta de representatividade.”

Sonia Coelho, da Marcha Mundial das Mulheres, apontou que a sociedade civil organizada precisa criar mecanismos para que as mulheres, brancas e negras, a população indígena, a juventude e a classe trabalhadora como um todo, sejam representadas. “O poder está concentrado nas mãos dos homens, heterossexuais, empresários, latifundiários, brancos.”

O Comitê Plebiscito Constituinte pela reforma política conta com 400 escritórios espalhados pelos estados brasileiros. Foi criado em setembro do ano passado por partidos políticos e movimentos sociais como resposta às manifestações de junho.

A organização agrega 214 entidades, entre movimentos sociais, sindicatos, partidos políticos e coletivos. Raimundo Bonfim, coordenador estadual da Central de Movimentos Popular (CMP), destaca que a unidade dos movimentos sociais é “muito importante” para a mobilização popular.

O militante considera que as manifestações de junho alertaram para a ausência de uma plataforma política objetiva, o que fez com que as pessoas protestassem e depois “cada um foi para a sua casa”.

A presidenta Dilma Roussef (PT), após os protestos de massa no ano passado, propôs cinco pactos com a sociedade civil brasileira, dentre eles a realização de consulta popular para a reforma política. De acordo com a legislação brasileira, somente o Congresso Nacional pode convocar um plebiscito – a proposta foi barrada pela maioria dos atuais deputados e senadores.

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