Rádios da Plataforma

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[Rádio Plataforma] Encontro reúne candidatas feministas e antirracistas em Pernambuco #DemocraciaQueQueremos

Candidatas feministas e antirracistas de Pernambuco participaram de um encontro promovido pelo Meu Voto Será Feminista, Rede de Mulheres Negras, Eu voto em Negra, SOS Corpo, Fórum de Mulheres de Pernambuco e Marco Zero Conteúdo, com o apoio da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político, através da campanha A Democracia que Queremos. Quem conta como foi é Juliana Romão (Meu Voto Será Feminista).

[Rádio Plataforma] A desinformação eleitoral se propaga e exige atenção

As eleições deste ano têm um inimigo preocupante: a desinformação. Não que as notícias falsas ou distorcidas estivessem ausentes da história democrática do país, mas é que agora as fake news têm as redes sociais como aliadas fortes e articuladas. A preocupação do Tribunal Superior Eleitoral e de entidades da sociedade civil é que a propagação de desinformação interfira no resultado eleitoral. Confira a matéria completa, com entrevista da jornalista e coordenadora executiva do Intervozes, Viviane Tavares.

[Rádio Plataforma] Violência nas eleições de 2022

Você tem medo de expressar a sua opinião ou escolha política? Levantamento divulgado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro diz que os casos de violência política no Brasil registraram um aumento de 32% em comparação ao mesmo período de 2020, último ano eleitoral. O cenário é ainda pior se analisada a violência política de gênero e de raça. A advogada especialista em direito público e cocriadora da A Tenda das Candidatas, Laura Astrolabio, analisa o cenário racista e a violência que está ocorrendo no atual processo eleitoral. Confira a matéria completa.

[Rádio Plataforma] Mulheres negras na política

No Dia da Mulher Negra Latinoamericana e Caribenha, destacamos a baixa representação de mulheres negras nas casas legislativas e a necessidade de ações afirmativas, inclusive dentro do campo da esquerda, para garantir a participação nos espaços de poder institucional. Confira a matéria completa, com entrevista de Valdecir Nascimento, da Articulação de Mulheres Negras Brasileiras e do Instituto Odara.

Últimas Notícias

Caro Presidente Lula, nós, meninas e mulheres negras, não cabemos nos seus estereótipos racistas e sexistas

#OpiniãoOdara: Caro Presidente Lula, nós, meninas e mulheres negras, não cabemos nos seus estereótipos racistas e sexistas

O presidente ironizou a presença de uma jovem negra em evento, afirmando ter pensado que ela fosse cantora, percussionista ou namorada de alguém

Antes de qualquer coisa, parabenizamos Luiza Eduarda Leôncio, jovem negra de apenas 20 anos, que é operadora especialista da Volkswagen, pela premiação em reconhecimento por seus serviços como aluna aprendiz da empresa. É nisso que acreditamos e é por isso que lutamos para que meninas e mulheres negras possam seguir seus sonhos e chegar cada vez mais longe.
Durante um evento da Volkswagen realizado em São Bernardo do Campo (SP), na última sexta-feira (2), o Presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, ao se referir a Luiza, afirmou que “afrodescendente gosta do batuque de um tambor”. Disse ainda que, quando viu a jovem no palco do evento, achou que se tratava de alguém que iria cantar, batucar, ou que fosse namorada de alguém. Confira a fala, também disponível em vídeo:
– Essa menina bonita que está aqui. Eu estava perguntando: o que faz essa moça sentada, que eu não ouvi ninguém falar o nome dela? Falei: “Ela é cantora, vai”. Não, não vai cantar. Perguntei (e disseram): “Não, não vai ter música”. Então ela vai batucar alguma coisa. Porque uma afrodescendente assim gosta de um batuque de um tambor. Também não é. Falei: “Nossa, então ela é namorada de alguém”. Também não é. O que é essa moça? Essa moça foi premiada ano que vem como a mais importante aprendiz dessa empresa e ganhou um prêmio na Alemanha. É isso o que nós queremos fazer para as pessoas nesse país.
Conhecemos muito bem essa tática da branquitude, que tenta nos enquadrar em pequenas caixinhas racistas e sexistas, disfarçadas de elogios e admiração. Que nos coloca na foto para ficar bonito, mas nos boicota e mina qualquer chance de ascensão que possamos ter.
Caro Presidente Lula, não é de se estranhar que te cause espanto e inquietação ver uma jovem negra sentada no mesmo espaço que o excelentíssimo. Até porque, por mais progressista e democrático que a esquerda branca possa se considerar, a maioria (das poucas) mulheres negras que fazem parte do seu governo ocupam cargos secundários, onde não possuem um poder real, e lá estão para legitimar seu suposto compromisso “antirracista”.
Não é de se estranhar que um homem branco da esquerda nos queira para tocar tambor ou nos enxergue como a namorada-acessório de alguém, mas sequer, considere uma de nós, por mais capacitada que seja, para ocupar uma vaga no STF ou em um ministério central no seu governo. Quando o senhor nos reduz a um aspecto que compõe a pluralidade da nossa cultura ou nos associa a um homem, está lançando um olhar racista e sexista sobre a nossa luta e nossas contribuições para a história e a política desse país – que não são poucas.
O senhor poderia apenas ter parabenizado Luiza por seu prêmio, mas traz o racismo e o machismo tão enraizados em suas concepções que nem ao menos tentou esconder o que realmente pensa sobre uma jovem negra. O senhor se sente tão à vontade, que não bastasse o constrangimento de questionar a presença de Luiza, ainda assediou a garota, afirmando publicamente que a pediu em namoro.
Presidente, acostume-se a nos ver nos espaços e respeitar as nossas presenças, porque a despeito do racismo, do machismo, dos boicotes, dos estereótipos que a branquitude tenta perpetuar, a despeito de tudo isso, nós estamos nos organizando e retomando os espaços que nos cabem e que temos total competência para ocupar. As políticas públicas, como a que foi anunciada durante o evento em questão, são sim muito importantes para impulsionar a nossa juventude e garantir a continuidade dos seus estudos, mas o senhor não faz mais do que sua obrigação, haja vista que este projeto de nação nos deve até a alma, além de que nós fomos a parcela da população que mais votou no senhor e garantiu seu retorno à presidência desse país.
Presidente Lula, da próxima vez que o senhor ver uma jovem negra genial como Luíza, não ache que a ela só cabem os estereótipos da cultura negra, não pense que ela é a namorada acompanhante de alguém, não se sinta no direito de assediá-la, pense que o Brasil que o senhor gesta deve a ela uma faixa presidencial.

NOTA EM SOLIDARIEDADE A FABRICIO SILVA ROSA

A Plataforma dos Movimentos Sociais por Outro Sistema político, articulação de mais de 140 movimentos, organizações e coletivos da sociedade civil brasileira, vem se solidarizar com o Policial Rodoviário Federal antifascista FABRICIO SILVA ROSA