Movimentos sociais e coletivos das periferias lançam campanha contra o golpe

 

Um grupo de 115 movimentos sociais, coletivos culturais, organizações da sociedade civil e ativistas, que atuam nas periferias de diversas cidades brasileiras, iniciam uma campanha para alertar moradores locais sobre a movimentação política atual e sobre o aumento da intolerância nas periferias. O lançamento oficial da campanha #PeriferiaContraOGolge será nesta quinta-feira, 24 de março, durante a edição especial do Sarau do Binho, um dos mais representativos espaços de luta nas periferias de São Paulo, em Taboão da Serra.

Os integrantes lançam um manifesto em que apontam as contradições dos governos petistas, que “nos concedeu apenas migalhas, enquanto se aliou com quem nos explora”. Mas reforçam que se negam a “a caminhar lado a lado” com aqueles que representam a casa-grande.

“Nós, moradores e moradoras das periferias, que nunca dormimos enquanto o gigante acordava, estamos aqui para mandar um salve bem sonoro aos fascistas: somos contra mais um golpe que está em curso e que nos atinge diretamente!”, diz o texto, que foi elaborado por pelo menos 500 pessoas e assinado pelos coletivos e movimentos sociais.

A campanha não tem um representante nem sequer defende um partido em específico. Seu objetivo é debater a conjuntura política atual e se posicionar em relação a reações violentas registradas nas últimas semanas contra grupos que não são a favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff [Partido dos Trabalhadores – PT].

“Nós, que não aceitamos que nossa história seja contada por uma mídia que não nos representa e lutamos pelo direito à comunicação (…). Nós, que somos de várias periferias, nos manifestamos contra o golpe contra o atual governo federal, promovido por políticos conservadores, empresários sem compromisso com o povo e uma mídia manipuladora”, diz o manifesto.

Além do texto, já foram produzidos materiais gráficos, lambes, áudios e vídeos serão divulgados para levar aos moradores da periferia um contraponto às informações noticiadas pela grande imprensa.

“Não compactuamos com quem defende a quebra da legalidade para beneficiar a parcela abonada da população, em troca do enfraquecimento do Estado democrático de direito pelo qual nós, dos movimentos sociais periféricos, lutamos ontem, hoje e continuaremos lutando amanhã”, reforça o texto. “Nós, que conquistamos só uma parte do que sonhamos e temos direito, não admitimos retrocesso. Reivindicar o respeito à soberania das urnas e a manutenção do Estado democrático de direito”.

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