CNBB sela pacto por reforma política com presidenciáveis

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) conseguiu o compromisso de todos os oito candidatos à Presidência presentes no debate de anteontem no Santuário Nacional de Aparecida com a reforma política.
O presidente da entidade e cardeal arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno Assis, entregou a cada candidato uma cópia do projeto elaborado pela CNBB junto com outras 96 entidades do país –que propõe, entre outras coisas, o financiamento público de campanhas (sem doações de empresas).
Segundo ele, todos se comprometeram a levar adiante o assunto caso sejam eleitos.
A CNBB fez como primeira pergunta do debate, direcionada a todos os candidatos, o grau de conhecimento e envolvimento deles com o projeto.
“Todos eles, tanto no debate como particularmente, afirmaram o propósito de iniciar, pelo menos, esse debate sobre a reforma no país como condição para a realização das outras reformas”, afirmou o presidente da CNBB. 

Encontro. A reforma política foi tema do encontro que dom Damasceno teve com 5 dos 8 candidatos que participaram do debate. A reunião aconteceu à tarde, horas antes do programa, no Seminário Bom Jesus, mesmo local que acolheu os papas Bento 16 e Francisco em Aparecida.
Estiveram ali os candidatos José Maria Eymael (PSDC), Luciana Genro (PSOL), Levy Fidelix (PRTB), Eduardo Jorge (PV) e Pastor Everaldo (PSC). 
Aécio Neves (PSDB) não chegou a tempo para a conversa. As candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) também foram convidadas, mas não compareceram.
Todos receberam o projeto sobre a reforma política defendido pela CNBB. “Ela é a mãe de todas as outras reformas”, frisou dom Damasceno.
Segundo o cardeal, a CNBB mantém a campanha para recolher 1,5 milhão assinaturas e propor, como projeto de iniciativa popular, uma lei de reforma política no Congresso. A meta é que isso seja feito até o início de 2015.
Trata-se do mesmo processo usado em 2010, com a campanha de iniciativa popular que culminou na Lei da Ficha Limpa, aprovada pelo Congresso em 19 de maio daquele ano.
“Espero que esse compromisso seja levado a sério, pois vai ser cobrado pela sociedade”, afirmou dom Damasceno. “O eleitor precisa saber como cada um vê o projeto.”

Debate. No debate da CNBB, Dilma e Aécio assumiram o compromisso de, caso eleitos, encampar a proposta de reforma política defendida pela CNBB. Marina prometeu abrir o debate sobre o tema em um eventual governo seu, levando em consideração o projeto apoiado pela Igreja.
O debate reuniu os 8 candidatos de partidos com representantes no Congresso Nacional e teve transmissão ao vivo para todo o país por TV, rádio e internet. 

A proposta da CNBB

Financiamento
Projeto propõe o financiamento público de campanhas (sem doações de empresas) como forma de inibir a corrupção

Dois turnos
A proposta prevê que a votação para cargos do Legislativo (vereador, deputado estadual e deputado federal) ocorra em dois turnos, primeiro com a definição de quantas cadeiras por partido e, depois, a escolha de candidatos a partir de uma lista

Mulheres
O texto também propõe o aumento de candidaturas de mulheres aos cargos eletivos

Participação
O último ponto do projeto estabelece a regulamentação do Artigo 14 da Constituição Federal, com o objetivo de melhorar a participação popular nas decisões mais importantes do país, através de mecanismos como projetos de lei de iniciativa popular, plebiscitos e do referendos

Marina revidou. “Infelizmente, os dois candidatos da polarização PT-PSDB não apresentaram um programa e ficaram na velha agenda, brigando entre si, sem dizer como vão fazer para corrigir os erros”, disse a candidata.
Dilma deixou o Santuário sem falar com a imprensa. 

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