Apesar da invisibilidade da mídia, plebiscito popular continua crescendo

A campanha do Plebiscito Popular pela Reforma Política continua se espraiando pelos quatro cantos do Brasil. Por meio da organização de grandes comitês organizadores e da fundamental discussão em pequenos locais ou comunidades, a ideia de que é necessário e urgente a convocar e eleger uma assembleia constituinte exclusiva para mudar o sistema político nacional vai ganhando a opinião popular.

Isso tudo apesar de os meios de comunicação tradicionais agirem como se a campanha não existisse. “Esse é o poder da mobilização popular, do trabalho de base, do corpo-a-corpo na defesa das ideias e do debate político”, afirma o presidente da CUT, Vagner Freitas.

Até quinta, dia 24 de julho, a campanha já somava 800 comitês. A tarefa desses grupos é mobilizar a militância e a população para realizar a votação em favor do Plebiscito entre os dias 1º e 7 de setembro. Semana da Pátria, Semana do Plebiscito. Um deles foi lançado pelo Sindicato dos Bancários de Pernambuco, na última terça, dia 22, mesma semana em que o Sindsep-PE (Sindicato dos Servidores Federais) organizou o seu.

Duas semanas antes, também no Recife, a Marcha Mundial das Mulheres fez atividade pública de lançamento de comitê próprio. Em Itapeva, a 300 km da capital São Paulo, o MST organizou mais um comitê, por intermédio de sua Regional Sudeste. Na cidade existem sete assentamentos plenamente produtivos, onde vivem e trabalham 400 famílias. O debate já chegou até elas, através de assembleias e do constante trabalho da rádio comunitária Camponesa FM, construída e mantida pelos próprios assentados, e que leva sua mensagem para os assentamentos e as comunidades, com raio de alcance de 60 km. As escolas públicas da cidade também sediaram debates sobre a Reforma Política organizados pelo MST. No Acampamento Boa Esperança, montado em terras devolutas no mesmo município, as barracas de lona preta e as luzes dos lampiões embalaram o debate, acompanhados pela maioria das 500 famílias que estão à espera da desapropriação.

Sobre a mesa, na sede do assentamento: feijão e plebiscito “Nossa meta é refletir com as pessoas sobre a relação entre a necessidade de reforma política e a qualidade de vida delas”, comenta Douglas Taffarel Cordeiro, coordenador do comitê local. Ele conta que, nas abordagens iniciais, o tema é confundido, por muitos, com eleições. “Até mesmo dentro do movimento isso ocorre por vezes. E o que queremos é debater política como elemento cotidiano.

Refletir como, por exemplo, comprar um saco de feijão produzido pela reforma agrária é também uma posição política, um posicionamento ideológico”. No próximo sábado, dia 26, a Regional Sudeste do MST realiza em Itapeva o chamado Encontro dos 100, destinado a formar novos multiplicadores para difundir a proposta de reforma política. Já na última terça, a Câmara Municipal de Ferraz de Vasconcelos, região metropolitana de São Paulo, sediou o debate e o ato político que lançaram o comitê municipal. Mais de 100 pessoas compareceram ao debate conduzido por Alex Capuano, assessor da CUT que mora na cidade, por Nilton Del Valle Ribas, da Central de Movimentos Populares, e pelo professor Alexandre Linares, do jornal “O Trabalho”.

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