Oded Grajew: Outro mundo é possível

 

Em 2001, quando foi idealizado e efetivamente criado, o Fórum Social Mundial (FSM) já se anunciava como a mais importante iniciativa da sociedade civil em discordância das propostas defendidas em Davos, na Suíça, onde se realiza anualmente o Fórum Econômico Mundial (FEM). Reunindo lideranças políticas e empresariais que conduzem as políticas públicas em todo o planeta, o FEM prega, em sua essência, o aprofundamento de um modelo de economia livre de regulação, em que a lei da selva impera e que, consequentemente, só torna os mais fortes ainda mais poderosos e não prevê qualquer proteção ao meio ambiente.

Como contraponto, as propostas que vêm sendo debatidas no âmbito do FSM — de forma absolutamente democrática e heterogênea — sempre apontaram os riscos desse modelo de desenvolvimento para todas as nações, especialmente para os povos mais vulneráveis. A finitude dos recursos naturais, a exclusão social e o aprofundamento da desigualdade, as guerras e os movimentos migratórios, por exemplo, já eram anunciados desde os primeiros encontros.

Hoje, 15 anos depois, esse cenário só vem se agravando e as previsões mais pessimistas se confirmaram. Segundo a Agência Espacial Americana (Nasa) e a Agência de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (Noaa), 2015 foi o ano mais quente da história. De acordo com a organização britânica Oxfam, a riqueza acumulada pelo 1% mais abastado da população mundial agora equivale, pela primeira vez, à riqueza dos 99% restantes. Isso para citar apenas os dados mais recentes.

Neste contexto, a continuidade do modelo defendido no FEM é um risco iminente para a humanidade. O que torna ainda mais necessária uma atenção especial às propostas defendidas no FSM, com toda sua complexidade e pluralidade. À mídia, cabe o papel de ampliar a cobertura, de ouvir também as vozes que vêm do lado de cá da sociedade. Aos governos, cabe a responsabilidade de admitir o fracasso de um modelo já tão ultrapassado. E a todos nós cabe a missão de batalhar por nações mais justas, mais igualitárias, mais democráticas e efetivamente mais sustentáveis.

Artigo divulgado no Zero Hora.

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