Movimentos sociais se mobilizam contra o golpe no dia 16 de dezembro

 

Um coletivo nacional dos 66 movimentos sociais reunidos em torno da Frente Brasil Popular convoca o povo brasileiro para uma grande mobilização contra a tentativa de golpe político, orquestrada pela direita. Os protestos acontecerão nesta quarta-feira, 16 de dezembro, em todo o país.

De acordo com a Frente, setores golpistas da direita, por meio de um grupo de parlamentares, liderados pelo deputado federal Eduardo Cunha [Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB – Rio de Janeiro], estão articulando o impeachment da presidenta da República, Dilma Rousseff [Partido dos Trabalhadores – PT]. Outra bandeiras das mobilizações são: a cassação do mandato de Cunha, acusado por corrupção e desvio de dinheiro público e o fim do ajuste fiscal promovido pelo governo federal.

“O povo brasileiro, por meio das centrais sindicais, dos movimentos populares, dos estudantes, das organizações de juventude, mulheres, negros, LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais], indígenas, pastorais das igrejas, a intelectualidade democrática, vem se pronunciando contra o impeachment. Somam-se amplos setores democráticos da sociedade civil, do mundo religioso, jurídico, intelectual e cultural do país”, assinala a Frente.

 

O Coletivo esclarece que é contra o impeachment porque sobre a presidenta Dilma Rousseff não paira nenhuma acusação ou suspeita de crime, desonestidade ou ilegalidade. Não há qualquer fato ou decisão da presidenta que possa ser considerado crime de responsabilidade. E, sem crime de responsabilidade, não existe motivo para o impeachment. Também se mobilizam contra porque estariam pretendendo afastar a presidenta para revogar as conquistas e os direitos do povo, destruir e privatizar a Petrobrás, e submeter o Brasil aos interesses imperialistas.

“Somos contrários ao impeachment, porque sabemos das motivações criminosas do deputado Eduardo Cunha. Dono de contas bancárias na Suíça, onde estão depositados vários milhões de reais, dinheiro de origem ilícita, Cunha quer que a oposição o proteja da cassação, em troca do que promete manipular o processo de impeachment e cassar o mandato legítimo da presidenta Dilma”, assinala o comunicado da Frente.

Para os movimentos sociais, “os que pretendem substituir Dilma Rousseff” devem disputar as próximas eleições presidenciais, em 2018. É isto o que pensariam os setores da oposição, que também são contrários ao impeachment. “Para derrotar os golpistas, apoiar os democratas convictos e convencer os indecisos, a Frente Brasil Popular conclama cada brasileiro e cada brasileira a se engajar na jornada nacional de lutas Em defesa da democracia, Não vai ter golpe!”

O MST [Movimentos dos Sem Terra], CUT [Central Única dos/as Trabalhadores/as], MTST [Movimento dos Sem Teto], CTB [Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil], UNE [União Nacional dos Estudantes], Intersindical e Conen [Coordenação Nacional de Entidades Negras] são algumas das organizações que puxam a convocatória.

Em São Paulo, o ato acontecerá, a partir das 17h, na Avenida Paulista. Os manifestantes seguirão em caminhada até a Praça da República. De acordo com os organizadores, também será realizada uma grande manifestação em Brasília.

Confira aqui o texto da convocatória para o ato do dia 16 de dezembro de 2015.

Personalidades assinam manifesto

Cerca de 480 personalidades, artistas e intelectuais assinam o Manifesto em Defesa das Instituições Democráticas, criticando as manobras políticas realizadas na tentativa de destituir a presidenta Dilma Rousseff. Entre os signatários destacam-se: o cineasta Luiz Carlos Barreto, os cantores e compositores Chico Buarque e Chico César, os atores Wagner Moura, Osmar Prado, Henri Castelli, Marcos Frota e Tássia Camargo.

Eles afirmam que repudiam “a tentativa de golpe imposta por Eduardo Cunha, por não haver elementos que fundamentem esta atitude, a não ser pelo desespero de quem não consegue explicar o seu comprovado envolvimento com esquemas espúrios de corrupção. Não se trata neste momento de aprovar ou reprovar a administração nem a forma como a Presidenta da República governa, mas defender a legalidade e a legitimidade das instituições do nosso país”.

A ideia é entregar o manifesto também nesta quarta-feira,16, ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski; ao procurador geral da República, Rodrigo Janot, ao presidente do Congresso, senador Renan Calheiros, e à presidenta Dilma. A escolha da data de entrega é para unificar o ato com a ação dos movimentos populares, que ocorrerão no mesmo dia.

 

O Brasil de Fato também listou a opinião de alguns artistas e intelectuais que se pronunciaram recentemente sobre o momento político que vive o Brasil:

Tonico Pereira, ator: “Minha profissão e minha curiosidade sempre me levaram a entender o ser humano. Eu me orgulho muito desse tipo de estudo. Talvez por tentar entender o ser humano é que eu não entenda o Cunha, por exemplo. Ele talvez não seja humano”.

Fernando Morais, escritor: “Nós temos que deixar absolutamente claro que no golpe não levam. Só levam no voto. Seja golpe paraguaio ou hondurenho, não importa. Só mudam o projeto de Nação, com o qual nós estamos comprometidos, no voto. Na ‘mão grande’ [com trapaça] nós não permitiremos”.

Gregório Duvivier, ator: “Um impeachment orquestrado por Eduardo Cunha, que beneficia Michel Temer, é como um pênalti marcado pelo Eurico Miranda em favor do Vasco. Se não é certo, certamente, não é justo, e menos ainda sensato”.

Gilberto Gil, cantor: “Não haverá impeachment. Não há razão, nem clima. Dilma vai concluir o seu mandato. É natural que conclua”.

Leonardo Boff, teólogo e escritor: “É vergonhoso que a Câmara seja presidida por uma pessoa sem qualquer vinculação com a verdade e com o que é reto e decente (…) Mais vergonhoso ainda é ele, cinicamente, presidir uma sessão, na qual se decide a aceitação do impedimento de uma pessoa corretíssima e irreprochável [ou seja, impecável] como é a presidenta Dilma Rousseff”.

Marilena Chauí, professora e filósofa: “Independentemente das limitações das ações desses últimos governos, foi nessa direção que se caminhou. Na direção de um espaço público republicano e de um espaço democrático de direitos. É isso que se quer frear”.

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