Campanhas estão mais caras e reforma política segue travada

As campanhas eleitorais deste ano serão mais caras do que as de 2010, prevê o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que estipulou aos candidatos limite de gastos superiores aos praticados há quatro anos. Apesar de definir um teto com o objetivo de impedir abusos, o mecanismo não extingue o chamado “caixa dois”, ou as “verbas não contabilizadas”. De acordo com cientistas políticos ouvidos pelo ABCD MAIOR, a única forma real de manter a “igualdade” na disputa é aprovar a reforma política e o financiamento público de campanha.

Para se ter uma ideia, as campanhas presidenciais deste ano custarão quase o dobro das de 2010. Na busca da reeleição, o PT pretende gastar R$ 298 milhões com a candidatura de Dilma Rousseff (PT); Aécio Neves, candidato pelo PSDB à Presidência, pretende despender R$ 290 milhões.  Em 2010, o PT gastou R$ 176 milhões e o PSDB R$ 180 milhões na disputa pela presidência.

O aumento nos gastos de campanha também se deu na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo e na Câmara dos Deputados. Se em 2010 um pleiteante a deputado estadual pelo PT poderia gastar até R$ 3 milhões, para 2014 o valor passou para R$ 5 milhões. Um candidato do PSDB a deputado federal poderá gastar, em 2014, até R$ 6 milhões, ante R$ 4 milhões em 2010. A mesma situação ocorre com as candidaturas a governador.

Reforma e financiamento – Para o sociólogo e professor da Fundação Getúlio Vargas Paulo Barsotti, a tendência é das campanhas ficarem mais caras. Um dos motivos, de acordo com o professor, é a substituição da campanha na base pela campanha de mídia eletrônica.

“A mídia eletrônica substituiu os palanques. O domínio do poder econômico é avassalador. Será um desafio para a política futura frear isso. O financiamento público seria uma das formas, mas ainda é apenas uma possibilidade”, avaliou Barsotti. 

De acordo com especialistas, as manifestações populares, iniciadas em julho do ano passado, colocaram a discussão da necessidade de reforma política em debate, mas o Congresso não levou adiante o debate proposto pela presidente Dilma, que sugeriu a criação de uma assembleia constituinte exclusiva a fim de debater o tema.

Na avaliação da cientista política e professora da Unesp (Universidade Estadual Paulista)  Angélica Lovatto, é importante o TSE limitar os gastos para evitar os abusos, entretanto, sabe-se que o financiamento público de campanha é a única forma de evitar discrepância nas campanhas.

“Uma pena que não há interesse por parte da política de aprovar o financiamento público. Hoje, o político que tem melhor relação com a iniciativa privada sai na frente, porque muitos fazem grandes doações. O financiamento público dá reais condições igualitárias para todos os candidatos. Além disso, a prestação de contas é mais justa”, avaliou Angélica.

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