Pesquisa sobre reforma política e paridade é apresentada na SEPPIR

 

 

A pesquisa “Reforma Política e Paridade na III Conapir” foi apresentada ontem (10/12), para gestores da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR-PR). Com foco nas questões de gênero e raça, o estudo foi desenvolvido pelo Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Data Popular, com base em questionários respondidos por 450 participantes da III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (III Conapir), realizada de 5 a 7 de novembro último, em Brasília-DF.

O objetivo das análises é compreender como se dá a relação entre a cor/raça, reforma política e paridade, a partir da percepção dos entrevistados sobre o tema. A pesquisa propõe, também, estratégias para ampliar a quantidade de mulheres e afro-brasileiros nos espaços de poder.

No total, foram ouvidas 450 pessoas, sendo 246 do sexo feminino e 204 do sexo masculino. Desse conjunto, 90% se declararam negros (66% pretos e 24% pardos), conforme as categorias definidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A média de idade dos entrevistados era de 45 anos.

Apesar de 48% das pessoas que responderam os questionários possuir ensino superior ou mais, percebeu-se que a renda não acompanha o nível de escolaridade, já que 66% delas recebe em média até cinco salários mínimos e apenas 10% está na faixa acima de 10 salários mínimos.

Os números mostram, ainda, que 70% acreditam que os brasileiros levam em consideração a cor do candidato na hora de votar. O índice aumenta quando a pergunta é feita aos participantes que se declararam pretos, chegando a 75%. Com relação aos pardos, 68% acham que o quesito raça é avaliado pela população no momento do voto. Entre os não-negros, o número cai para 51%.

Realidade dos afro-brasileiros
Para o gerente de pesquisas do Instituto Data Popular, João Paulo Resende, as porcentagens representam a realidade vivida pelos afro-brasileiros. “Percebe-se que os números aumentam entre a população negra, que tem a percepção de que a cor é um fator discriminatório no Brasil”, acrescenta.

Quando perguntados se eles próprios levam em conta a cor do candidato nas eleições, 72% dos entrevistados afirmaram que não. Entre os pretos, o índice ficou em 31%, diminuindo para 18% no grupo dos pardos, e 8% entre os não-negros. Com relação ao posicionamento do candidato frente ao tema preconceito racial, 85% dos participantes da pesquisa responderam que esse é um fator que consideram antes de definir o voto.

Mulheres negras
– No que se refere ao item ‘percepção de mulheres negras nos espaços de poder’, 31% dos entrevistados acreditam que não exista nenhuma vereadora negra, 47% desconhecem a existência de prefeitasafrodescendentes, e 16% e 55% não sabem se há deputadas federais e senadoras afro-brasileiras, respectivamente.

A partir das constatações, a diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Jacira Melo, destacou a importância da visibilidade do negro na mídia, com consequente reconhecimento e garantia de direitos. Logo após, a vice-diretora executiva, Mara Vidal, chamou a atenção para a necessidade de incluir o quesito raça/cor no cadastro dos candidatos, com o objetivo de conseguir dados precisos nas pesquisas.

Para finalizar, o Secretário Executivo da SEPPIR, Giovanni Harvey, acrescentou que diversas variáveis contribuem para o não-reconhecimento do negro. Entre elas, o processo de branqueamento visto em campanhas publicitárias eleitorais, com a utilização de programas gráficos que alteram a tonalidade da pele de pretos e pardos, ou o fato de o próprio concorrente não se definir como afro-brasileiro.

“São questões que trabalham a subjetividade, a forma como as pessoas enxergam o candidato. Não traduzem a realidade, mas influenciam a percepção”, concluiu o secretário com referência à forma como a pessoa negra é vista nos espaços políticos.

Fonte: SEPPIR

 

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