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Justiça barra regra do Enem que zera redação que viola direitos humanos


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As primeiras críticas à Lava Jato, feitas por jornalistas, blogueiros, juristas e sociólogos ainda em 2014, falavam sobre a “politização” da operação. Alertavam para os interesses políticos que pautavam as investigações. Denunciavam o golpe que estava em curso e o papel estratégico de cada ator. Apontavam o dedo para as afinidades partidárias e ideológicas de certos juízes, procuradores e delegados.

Depois do golpe, em 2016, outras duas palavras entraram no glossário das críticas à Lava Jato: “midiatização” e “espetacularização”. A midiatização da Justiça nada mais era que o uso dos meios de informação para jogar luz ao que interessa, em cada contexto. Os critérios variam conforme as estratégias políticas e comerciais das empresas jornalísticas, ocultas para a maioria dos brasileiros. No conjunto da narrativa, foi possível massacrar parte dos réus, conforme lhes convinha, e vender a ideia de que alguns personagens dessa história eram heróis, e outros eram vilões.

A espetacularização do Judiciário sucedeu essa relação, que já era problemática. Foi quando os próprios juízes, delegados ou membros do Ministério Público passaram a trabalhar pautados pela possível repercussão dos acontecimentos. Coletivas de imprensa, frases de efeito, vazamentos de informação a tempo de sair no Jornal Nacional. Foi também dessa ideia de espetacularização que nasceu o powerpoint de Deltan Dallagnol, por exemplo, e até um filme comercial sobre a Lava Jato.

E qual seria o estágio seguinte dessa operação, que começou politizada e se tornou cada vez mais midiática, até os limites do espetáculo? Os movimentos recentes permitem apostar que a palavra do momento é a “financeirização”, embora esteja claro que essas quatro fases não são separadas nem desvinculadas umas das outras.

Nessa conjuntura, o governo Temer entrega ativos para a iniciativa privada, e os escândalos revelados durante a operação são usados como pretexto. Juristas que ganharam projeção com a Lava Jato são convidados de honra em eventos do mercado de capitais e reforçam esse discurso entreguista.

Rodrigo Janot foi à Suíça para o Fórum Econômico Mundial no começo do ano, e disse que a operação dá segurança jurídica para os empresários fazerem negócios no Brasil. Dallagnol subiu ao mesmo palco do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e foi aplaudido por investidores no 8º Congresso de Mercados Financeiro e de Capitais.

Enquanto delatores corruptos negociam redução de penas, quem paga o pato, de novo, são os brasileiros mais pobres, pagadores de impostos e usuários do serviço público.

Melhor para o mercado financeiro e para Michel Temer, que se aproveita da Lava Jato e permanece imune a ela, abrindo os cofres para se livrar de toda e qualquer denúncia.

Edição: Mauro Ramos