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Jornalista Ricardo Kotscho defende Constituinte em palestra no Sindicato


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Dando continuidade às palestras formativas nas reuniões da diretoria colegiada, o jornalista Ricardo Kotscho esteve no Sindicato na segunda-feira, 7/7, para falar sobre Campanha Eleitoral e o papel da mídia. Kotscho trabalha há mais de 50 anos com reportagem e atualmente trabalha como comentarista do Jornal na Record News, é repórter especial na revista Brasileiros e blogueiro (Balaio do Kotscho). Foi secretário de imprensa e divulgação da presidência da República no governo Lula no período de 2003-2004, já recebeu importantes prêmios de jornalismo e tem mais de 20 livros publicados.

Mostrando-se feliz por retornar ao ABC, Kotscho fez uma breve explanação sobre alguns pontos e pediu para abrir para perguntas, pois se sentiria mais à vontade em um diálogo. Os presentes aproveitaram para falar também de temas como comunicação sindical, reforma política, regulamentação da mídia, pensamento único e as manifestações de junho/julho do ano passado.

“O Brasil é um país fantástico que está oprimido pelo sistema político. Esse é o ponto, por isso é preciso a constituinte”, defendeu, ao final, o jornalista, referindo-se à atual campanha pelo plebiscito por uma Constituinte Soberana sobre o sistema político.

Acompanhe abaixo um breve resumo sobre a opinião de Kotscho aos assuntos abordados.

Oligopólio da mídia no Brasil

A mídia está na mão de seis famílias. Há cinqüenta anos muita coisa mudou neste país, só isso não muda: a comunicação. Mesmo com a Internet e com as novas tecnologias ainda são os grupos Folha de São Paulo, Globo e Estadão basicamente que fornecem a matéria prima para os demais noticiários do país.

Constituinte e Reforma Política

Do jeito que está, com a atual política de alianças, não tem como fazer mudanças. Só se faz mudança no Congresso Nacional e com esse Congresso que temos é impossível. Ninguém governa o país com o PMDB. Com o PMDB não se muda o país e sem o PMDB ninguém se elege. Por isso é importante, é urgente a Constituinte para a reforma política.

Imprensa sindical

Um dos caminhos para melhorar a comunicação sindical á profissionalização. A política é determinada pela diretoria, mas a execução precisa ser feita por profissionais da área. Na década de 80 tinha um personagem do jornal do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o João Ferrador, que sempre dizia “Hoje eu não tô bom”. Acho que a comunicação sindical parou nesse tempo. Ainda é muito feita em papel, não usa muito as novas tecnologias. Precisa mostrar mais o trabalhador no jornal da entidade. As pessoas gostam de se ver na publicação.

Comunicação e governo Dilma

É preciso mostrar as coisas boas que acontecem, mas nossa propaganda é muito fraca. É preciso mostrar quem não tinha luz e agora tem, quem não tinha emprego e agora tem, mostrar como este país era e agora como ele está. Tem que cativar as pessoas.

Por que os grandes jornais são iguais

Eles usam a pauta única do Instituto Millenium. Este mês, por exemplo, é a Petrobras, depois, inflação. Eles elegem um tema único e por isso cada vez mais a gente tem a impressão que todos são iguais. O Instituto Millenium é o clube das seis famílias donos dos meios de comunicação de massa deste país, a pauta única é sistematizada, organizada. É como se tivéssemos um só pauteiro, um só editor. É o chamado pensamento único.

Regulamentação da mídia

A Inglaterra acabou de fazer uma regulamentação da mídia com a maior seriedade, com participação de toda a sociedade. Aqui não se pode discutir isso, se negam a discutir até uma autorregulamentação. Na publicidade brasileira existe algo semelhante, que é o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), que recebe denúncias, analisa e pode até tirar propaganda do ar. Aqui (na imprensa) não aceitam discutir o assunto. E os políticos não vão fazer isso, para eles do jeito que está funciona, eles se elegem e se reelegem.

Propaganda eleitoral

Eleição é esperança, é futuro. Precisa falar o que se fez e o que se vai fazer. Falar qual é a proposta para o futuro.

Manifestações de junho de 2013

Tinha aquele monte de reivindicação, desde os radicais de esquerda e de direita até aqueles que foram na onda. Era um movimento sem líderes e não existe movimento sem líderes. A pergunta que temos que fazer é a quem interessa isso. Há muito mais coisa por traz do que podemos imaginar e certamente tem ligações internacionais. Foi muito semelhante à pré 64 e hoje temos o pré-sal. O golpe de 64  foi civil, midiático e militar, não nos esqueçamos.

O Brasil

As coisas não são simples. Já diziam que o Brasil não é para amadores. O problema aqui é o sistema político, que está falido. Brasil é um país fantástico que está oprimido pelo sistema político. Esse é o ponto, por isso é preciso o plebiscito constituinte.

Governo Lula/Dilma

A revolução destes doze anos no Brasil chama: distribuição de renda, o resto é conseqüência.