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Retrato de um Brasil dominado por todos os tipos de golpistas


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Mário Augusto Jakobskind

Um fato incrível acabou de acontecer em âmbito da Justiça brasileira. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para saber o motivo pelo qual o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não deu andamento ao pedido de impeachment contra o presidente putrefato Michel Temer (PMDB). Maia, que não passa de um subserviente do esquema golpista implantado no Brasil, simplesmente se recusa a dar uma resposta, se arquiva ou dá prosseguimento ao pedido de impedimento e mais 23 que seguem engavetados.

Aí, a análise do fato protocolado pela OAB, assinalando que Maia está praticando “ato ilegal e omissivo”, é decidido no STF por sorteio. A escolha recaiu no próprio ministro indicado pelo golpista Temer, de quem foi Ministro da Justiça. Alexandre de Moraes simplesmente responde ao mandado de segurança se omitindo, ou seja, alegou que não se intrometeria em uma decisão a ser tomada pelo presidente da Câmara dos Deputados.

Por coincidência ou não com esse caso, os mais críticos acreditam que a escolha de Alexandre de Moraes não foi coincidência, mas um jogo de cartas marcadas. A decisão na maior instância da Justiça brasileira coube ao mais novo ministro, figura de estrita confiança do ocupante indevido do Palácio do Planalto.

Por estas e muitas outras, vide o que vem decidindo o ministro Gilmar Mendes, cada vez mais os togados estão sendo vistos de forma suspeita por uma parte da opinião pública. No caso de Rodrigo Maia, integrante de um partido apoiador do projeto de governo que está levando o país a andar para trás, não surpreende a não decisão sobre os pedidos de impeachment. No ano passado, o meliante Eduardo Cunha (PMDB-RJ) decidiu de uma tacada só levar adiante o pedido de impeachment protocolado por Hélio Bicudo, Janaina Paschoal, também conhecida com “a surtada”, e  Miguel Reale Junior, que resultou na derrubada da presidenta constitucional por meio de um golpe parlamentar. Uma decisão absolutamente sem provas, mas mesmo assim levada adiante. E agora vem o patético Rodrigo Maia dizendo que a aceitação do pedido contra Temer acarretaria uma nova crise institucional.

Assim caminha hoje o governo golpista de Michel Temer, que com muita sede ao pote está entregando de mão beijada o que ainda resta do Estado brasileiro. A última dos golpistas - depois do anúncio da privatização da Eletrobrás, 63 anos depois da morte do seu criador, Presidente Getúlio Vargas - com apoio incondicional da mídia comercial conservadora se anuncia não só a privataria em que não escapa nem a Casa da Moeda, como a abertura para a iniciativa privada de uma área da Amazônia, correspondente a Dinamarca, rica em reservas de minérios. E, certamente, empresas internacionais poderosas vão querer abocanhar as riquezas de ouro, manganês etc.

Para isso, os golpistas que assumiram o poder no ano passado já estão articulando um novo golpe para evitar que em outubro de 2018 o povo julgue o que faz em matéria de doação o putrefato Michel Temer, que já tornou público o seu apoio ao regime parlamentar. Temer e os congressistas não têm condições de decidir essa questão sem submeter à apreciação dos eleitores, como já foi feito, e repudiado, em 1963 e 1993. O que se pode esperar desse Congresso, uma parte integrado por figuras carimbadas acusadas de corrupção?

O atual ocupante indevido do Palácio do Planalto será algum dia julgado pelos historiadores, quando os estudiosos do atual período, que é de fato de exceção, concluirão o que estamos dizendo agora, que se trata de um golpista que conseguiu superar até, vejam só, o que fizeram em matéria de prestação de serviços a interesses multinacionais, o assassino general Augusto Pinochet, o então presidente argentino Carlos Menem, que defendia “relações carnais” com o governo dos Estados Unidos e teve o apoio de Fernando Henrique Cardoso (é sempre bom lembrar que o hoje ex-presidente, quando exercia o cargo, ainda  participou de comícios de Menem em favor da candidatura do referido), além de outros do gênero, até mesmo  generais de plantão na ditadura empresarial militar vigente no Brasil de abril de 1964 a março de 1985.

Mesmo no Brasil, os atuais golpistas estão superando, com exceção do primeiro golpista de 1964, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, as políticas de retrocesso que derrubam as conquistas sociais e debilitam o Estado brasileiro. E desta vez assumiram o poder e levam adiante um projeto nocivo aos interesses da nação brasileira sem a participação dos militares, mantendo ao seu lado os setores do mundo empresarial. Para ser mais preciso, Temer tem junto de si o general Sérgio Etchegoyen como ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, um militar que em algum momento se manifestou contra a Comissão da Verdade que apurava a ação repressiva contra opositores ao regime de força instalado com o golpe que derrubou o presidente constitucional João Goulart.

Em suma, vale sempre repetir: o Brasil não merecia tamanha desgraça.