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Opnião Silvio Santos e o atraso da tevê


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Djamila Robeiro

Nos últimos tempos, Silvio Santos, apresentador e dono do SBT, tem protagonizado atitudes machistas e, consequentemente, desrespeitosas às mulheres. Em junho, constrangeu a apresentadora Maísa, de 15 anos, ao querer forçá-la a namorar o colega de canal Dudu Camargo, de 19. Após o episódio, Maísa postou em suas redes sociais que as mulheres não deveriam mais aturar esse tipo de situação.

Desrespeito e conforto em proferir ofensas, conforto este que a maioria dos homens tem por conta de seus privilégios. Fernanda Lima respondeu às ofensas e recebeu apoio de atrizes como Camila Pitanga, Taís Araújo e Leticia Sabatella.
É realmente absurdo que Silvio Santos ainda se sinta no direito de ser grosseiro e tratar mulheres como se coisas fossem. E ainda se sentir no direito de responder a Fernanda Lima, dizendo que não vai calar-se.


É preciso cada vez mais que se desestabilizem e questionem esses tipos de posturas que ainda seguem naturalizados na televisão brasileira. Quantas mulheres precisaram engolir violências ou aceitar caladas certas ações. Hoje, com um pouco mais de liberdade, muitas não se calam e enfrentam situações abusivas.


É inadmissível que esses comportamentos sejam defendidos e/ou tratados como brincadeiras ou piadas. Não pode haver desculpas para atitudes sexistas. O exercício de se rever e desconstruir ainda é considerado distante para muitos. Esses comportamentos nocivos precisam cada vez mais ser combatidos e denunciados.


Há estudos sobre as questões, pesquisas, páginas nas redes sociais, mas, quando se trata da alteridade e do respeito à humanidade das mulheres, assistimos a saídas patéticas e simplistas, mostrando o quanto apresentadores representam o atraso.


Atitudes mimadas de alguns homens confrontados em seus machismos mostram que ainda temos muito no que avançar. Ao contrário da postura arcaica de Silvio Santos, Fernanda Lima tem se posicionado politicamente cada vez mais e dado abertura para discussões relevantes para a sociedade em seu programa. A televisão brasileira precisa de mais exemplos como este. Aos que insistem em reafirmar preconceitos, o ostracismo seria uma boa punição.