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Estudantes pedem reforma política para ministro Rosseto

 

A reforma política foi o principal tema abordado nesta segunda-feira (2) durante o primeiro dia de debates da nona Bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em um evento com muita intervenção espontânea e popular, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rosseto, ouviu as reivindicações de diversos movimentos estudantis no seminário que teve como tema Reforma Política e Participação Popular: como Avançar a Democracia Brasileira.

Em sua fala, o ministro destacou a eleição de Alexis Tsipras como primeiro-ministro da Grécia, com a promessa de romper com a austeridade imposta pela União Europeia, e disse que o Brasil foi um dos países que inspirou o povo grego a apostar nas mudanças.

“É nossa responsabilidade dar continuidade e aprofundar as grandes mudanças políticas, sociais e econômicas que estamos fazendo no nosso país e que estamos construindo com toda a solidariedade possível dos povos da América do Sul e do mundo inteiro. Eu sei que o que vocês [estudantes] estão fazendo aqui renova essa energia política, vamos nessa bienal renovar essa solução de mudança e transformação no Brasil e construir essa cultura da arte: a visão libertária que acompanha a nossa juventude, que acompanha a UNE, que acompanha todos nós”, disse o ministro a uma plateia enérgica, que interrompia sua fala com cantos, batucadas e gritos de protesto.

Rosseto falou que é preciso mudar a estrutura do Estado, que foi herdado de um Estado autoritário e machista, e de uma República construída com o massacre dos pobres, negros e camponeses, disse o ministro, citando as revoluções reprimidas de Canudos, da Chibata e do Contestado. A plateia interrompeu com gritos de "ô Rosseto, que palhaçada, cadê a reforma agrária?"

Em meio a gritos de “olé, olé, olá, Dilma, Dilma!” e de “não me representa, não!”, Rosseto afirmou que o governo quer discutir com a sociedade todos os termos da democracia direta e participativa, para a construção permanente de políticas públicas que dialoguem com os interesses sociais. Entre democracia e burocracia, o ministro disse que o financiamento empresarial das campanhas eleitorais gera o que chamou de “democracia censitária”, que só permite acessar o poder àquele que tem muito dinheiro.

“Nós temos que repensar o processo de financiamento. A experiência do financiamento empresarial é o grande instrumento construtor da corrupção entre o setor privado e a estrutura política brasileira, que nós não queremos para o nosso país. A estrutura de poder político de uma democracia tem como base o povo e, portanto, é também o povo que tem que financiar o processo democrático no país”.

“Pro Brasil avançar, Constituinte já!”, gritava a plateia. Rosseto encerrou sua fala dizendo que a unidade popular vai encontrar objetivos comuns para transformar o ano de 2015 no grande ano da construção da democracia no país.

Nas falas dos movimentos estudantis, os principais temas lembrados foram o financiamento público das campanhas, a participação das mulheres - “não apenas para cumprir cota dos partidos” e de outras minorias -, além da convocação de uma Constituinte exclusiva para debater a reforma política e plebiscitos populares.

Sobre as vaias e intervenções contrárias ao governo, ouvidas durante o evento, Rosseto afirmou que faz parte da democracia, e ressaltou que a energia expressa pela juventude incentiva todos a lutar pela ampliação da qualificação política do país.

“Nossa juventude, que expressa uma energia, uma vontade política impressionante, nos entusiasma. Há uma agenda que vem sendo debatida aqui pela UNE, que é a agenda da reforma política, que avance na qualificação da democracia do nosso país, isso é muito bom para o país, o país fica muito feliz, o Brasil fica mais bonito com essas manifestações da nossa juventude e da UNE”, contemporizou.

Os debates da Bienal da UNE vão até quinta-feira (5), e o encerramento será na sexta-feira (6), com homenagem a Oscar Niemeyer.